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09/03/2011

Anestesia Personalizada

Por Thais Lazzeri

Uma das áreas mais promissoras de pesquisa na área da saúde é sobre a dor. Como quantificar o que cada um sente e como isso poderia ajudar a tratar um paciente? Essas mesmas questões estão sendo usadas para entender o desconforto que algumas pacientes sentem após o parto. A cada 100 nascimentos de parto cesárea, 15% das novas mães sentem um desconforto muito grande em relação ao alívio da dor. Elas são um grupo de risco para doenças crônicas no futuro. “Toda cirurgia é uma forma de agressão ao sistema nervoso. Se você não o deixa bem protegido, pode haver sequelas, como a dor”, afirma Mônica Siaulys, doutora em anestesia, responsável por esse setor no Hospital Santa Joana (SP) e uma das responsáveis pelo estudo no país. A resposta para esse problema está na anestesia. Um grupo formado por universidades norte-americanas e pesquisadores desse hospital vão avaliar como 800 gestantes respondem à dor e, assim, mapear quais delas poderiam receber uma anestesia diferenciada antes da hora do parto. Hoje, a morfina é dada em todos os casos pré-operatórios. Se os resultados preliminares do estudo forem confirmados, esses 15% poderiam receber outros medicamentos e, assim, ter um pós-parto mais confortável.

Antes de explicar como o teste para o diagnóstico da dor funciona, é preciso entender como nosso organismo reage a ela. Nós temos um sistema de controle de dor: um que inibe e outro que desencadeia, e a eficiência deles é diferente em cada pessoa. Algumas têm excelentes respostas nesses dois sistemas e reagem bem à anestesia com morfina, por exemplo. Outras, que são muito sensíveis, podem sofrer desconforto no pós-parto. É para elas que o estudo está sendo conduzido.

Como o teste funciona
Quando você se machuca, por exemplo, e pressiona o local, sente um alívio logo depois. Isso acontece porque,quando você faz a pressão, o organismo libera endorfina. Ou seja: a dor inibe a dor. A morfina age nesse sistema inibitório. Existe um aparelho capaz de medir a eficácia do mecanismo inibidor de dor de cada pessoa. Se você responder bem a esse exame, significa que vai reagir bem à morfina também.

Esse aparelho, uma plaquinha de 2cm x 2cm, libera estímulos térmicos. Ele aquece e esfria rapidamente. A placa é colocada no braço esquerdo da pessoa. Primeiro ela vai emitir um calor de 46ºC. Os pesquisadores perguntam, em uma escala de 0 a 10, quanto aquilo incomodou a paciente para saber qual temperatura desencadeia desconforto. Aí começa a segunda parte do teste.

Depois, pedem para a pessoa colocar o braço direito em banho-maria a uma temperatura de 39º C (é como a água de uma banheira muito quente, por exemplo). Aí é repetido o teste no braço esquerdo com base na temperatura que desencadeou o desconforto na primeira vez. Na maioria dos casos, ninguém sente mais dor. Mágica? Não. Isso acontece porque quando ela mergulhou o braço na água quente, a área atingida foi maior e o desconforto se manteve contínuo. Assim, o cérebro liberou endorfina para evitar que ela sentisse dor numa próxima vez. Para essas mulheres, a morfina funciona. Mas isso não acontece nas pacientes com muita sensibilidade à dor.

Descobrir quem elas são pode fazer com que a anestesia seja preparada de uma maneira diferenciada para esse público, o que os médicos chamam de personalização da anestesia. As conclusões finais desse estudo vão ser publicados no ano que vem e, se os resultados já obtidos se confirmarem, essas mulheres que hoje sofrem com dor no pós-parto não vão precisar mais tomar outras medicações para inibi-la ou ser submetidas a outras cirurgias, como para colocação de dreno que libera medicação para sanar a dor. Antes mesmo de engravidar, elas poderão fazer um teste ou mais, ainda em desenvolvimento, que vão mostrar o grau de sensibilidade à dor e se essa pessoa é geneticamente predisposta a isso. Em alguns anos, poderemos pensar que 100% das novas mães - e não apenas 85% delas - vão ter um pós-parto mais tranquilo, e sem desconfortos.

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